Engenharia Química e Produção de Vacinas: O que The Last of Us nos Ensina Sobre Bioprocessos em Cenários Pandêmicos

 em Saúde, Tecnologia

Autora: Savannah Reis

Em The Last of Us, jogo eletrônico de ação, aventura e sobrevivência amplamente difundido entre o público gamer, o colapso da civilização anuncia-se pela alarmante e progressiva disseminação de um agente fúngico que encontra no organismo humano condições fisiológicas favoráveis à sua replicação e consequente propagação. A narrativa, desenvolvida pela Naughty Dog, constrói um mundo no qual o Cordyceps transpõe a barreira interespecífica e reorganiza a ordem social a partir da lógica do contágio. Nesse viés, cidades convertem-se em zonas de quarentena, como tentativa de contenção do avanço infeccioso. O enredo, ainda que revestido de ficção, traz ao debate conceitos epidemiológicos.

 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “pandemia” corresponde à disseminação mundial de uma nova doença, caracterizada por transmissão sustentada entre diferentes populações. Em Spillover (2012), David Quammen descreve como patógenos emergentes frequentemente resultam de saltos zoonóticos favorecidos pela intensa interação entre humanos, animais e ambientes modificados. A recente COVID-19, ainda vívida na memória coletiva, materializou tal cenário. Relatórios oficiais da OMS (2020), bem como análises publicadas pelo The New York Times, registraram a rápida propagação do SARS-CoV-2 e seus impactos. Destarte, a pandemia revelou fragilidades estruturais profundas, expondo a interdependência entre ciência, indústria e organização social. 

  Pandemias, desse modo, expõem a vulnerabilidade estrutural das sociedades, e a vacinação figura historicamente como uma das respostas técnicas mais eficazes já concebidas pela ciência. No universo de The Last of Us, a inexistência de imunização amplia o colapso. Na realidade histórica, contudo, vacinas modificam decisivamente o curso epidemiológico. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vacinas estimulam o sistema imune por meio da exposição controlada a antígenos, promovendo memória imunológica e redução de formas graves. O Ministério da Saúde aponta a imunização como eixo central do SUS. Durante a COVID-19, dados da Fiocruz (2022) indicaram queda expressiva de hospitalizações após o avanço da cobertura vacinal. Não obstante, a varíola, doença viral pustulosa de alta letalidade, foi erradicada em 1980, conforme a Organização Mundial da Saúde, após campanha global de vacinação.

  Transpondo essa lógica ao cenário do jogo, a eventual existência de uma vacina contra o agente infeccioso representaria uma proteção biológica, bem como uma possibilidade concreta de reorganização social e produtiva.

  A consolidação da vacinação, em escala populacional, depende de uma base técnica sólida, na qual a Engenharia Química exerce papel central. Em sinergia com a descoberta científica, é necessário transformar conhecimento biológico em produção industrial segura, estável e economicamente viável. Conforme destaca a Associação Brasileira de Engenharia Química (ABEQ), o engenheiro químico deve projetar, dimensionar e otimizar processos produtivos complexos, assegurando eficiência operacional e conformidade sanitária. Nesse cenário inserem-se os bioprocessos, sistemas integrados que utilizam organismos vivos, células ou seus derivados para a obtenção de produtos de interesse, sob condições rigorosamente controladas de temperatura, pH, oxigenação e assepsia. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a fabricação de imunobiológicos requer validação rigorosa e cumprimento das Boas Práticas de Fabricação. As etapas de cultivo em biorreatores, purificação e formulação final demandam domínio de fenômenos de transporte, operações unitárias e controle de processos, competências próprias da Engenharia Química.

 

   Em um universo como o de The Last of Us, a existência dessa estrutura produtiva poderia representar a transição entre o colapso prolongado e a reconstrução social. Se você, assim como a Prisma, acredita na importância e no poder da ciência e engenharia, converse conosco para impulsionarmos o seu negócio. 

 

REFERÊNCIAS:

Vacina Covid-19 Fiocruz tem eficácia geral de 82%. Disponível em: <https://agencia.fiocruz.br/vacina-covid-19-fiocruz-tem-eficacia-geral-de-82>. Acesso em: 1 mar. 2026.

QUAMMEN, David. Spillover: animal infections and the next human pandemic. New York: W. W. Norton & Company, 2012.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Coronavirus disease (COVID-19) pandemic. Geneva: World Health Organization, 2020. 

THE NEW YORK TIMES. Coronavirus (COVID-19) coverage. New York: The New York Times Company, 2020. 

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). Vacinas: como funcionam e por que são importantes. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2022. 

MINISTÉRIO DA SAÚDE (BRASIL). Programa Nacional de Imunizações (PNI). Brasília: Ministério da Saúde, 2022. 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). The global eradication of smallpox: final report of the Global Commission for the Certification of Smallpox Eradication. Geneva: World Health Organization, 1980.

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). Impacto da vacinação contra a COVID-19 no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2022. 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENGENHARIA QUÍMICA (ABEQ). A Engenharia Química no Brasil. São Paulo: ABEQ.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Guia sobre Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos Biológicos. Brasília: ANVISA, 2020.

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