Nitratos e metais na água: Uma ameaça invisível à biodiversidade marinha
Autora: Anielle Nunes
Introdução
A água é uma substância indispensável para a manutenção da vida, sendo o elemento inorgânico mais abundante nos organismos vivos e possuindo cerca de 60% do peso humano corporal (Rebouças apud Vieira et al.). Além disso, esse recurso desempenha um papel fundamental para os seres humanos, devido a sua importância na biodiversidade, produção de alimento, para o suporte de todos os ciclos naturais e até mesmo na economia (LAMARH).
Com relação à vida marinha, os ecossistemas marinhos abrigam uma riqueza biológica única que possui papel vital na regulação climática, produção de alimentos, na proteção contra eventos extremos e no sustento de comunidades. O oceano ocupa 70% do planeta e atuam como importantes reguladores climáticos, absorvendo grande parte do dióxido de carbono (CO2) e do calor excessivo gerado por atividades antrópicas (GOV). Desse modo, a conservação da qualidade da água é essencial para a garantia da estabilidade desses ambientes e dos serviços do ecossistema gerados para a sociedade.
Apesar de sua importância ecológica e socioeconômica, os ecossistemas sofrem ameaças devido aos impactos das atividades antrópicas. Mudanças no clima, expansão das atividades econômicas e urbanização desenfreada, influenciam na intensificação nos problemas de ambientais, comprometendo a qualidade da água e o equilíbrio desses ambientes
Dentre os diversos impactos gerados pela diminuição da qualidade da água, ressalta-se a contaminação por nitratos e metais, substâncias que podem atingir ecossistemas aquáticos por meio do lançamento inadequado de efluentes, atividades agrícolas e industriais. A presença dessas substâncias nos ambientes aquáticos pode influenciar alterações físicas, químicas e biológicas, afetando os organismos marinhos e comprometendo o equilíbrio dos ecossistemas.
Desenvolvimento
A intensificação das atividades antrópicas contribuem para a degradação dos recursos hídricos. O desenvolvimento da indústria, a urbanização e o descarte inadequado de efluentes têm aumentado a introdução dos contaminantes nos ambientes marinhos, comprometendo sua qualidade e influenciando congênitas e hormonais nos animais (Fotin). Assim, destacam-se os metais e os nitratos, substâncias amplamente associadas a impactos negativos sobre os organismos aquáticos e o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
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Metais e Nitratos
Metais como Cobalto, Níquel, Cobre e Zinco em pequenas quantidades são necessários para a realização de funções vitais no organismo. No entanto, o excesso desses elementos podem ser extremamente tóxicos. Já outros metais, como o Mercúrio, não apresentam nenhuma função no organismo e seu excesso pode provocar graves doenças (Ferreira et al.). Quando lançados na água, solo ou ar, esses elementos podem ser absorvidos pelos animais das proximidades e estimulam graves intoxicações ao longo da cadeia alimentar (Pereira e Ebecken. 2009 apud Ferreira et al.).
Em relação aos Nitratos, o nitrogênio na natureza ele se apresenta de diversas formas, Em na sua forma de amônia, pode causar perda na qualidade da água. Assim, o nitrato é a principal forma de nitrogênio associada à contaminação da água pelas atividades agropecuárias. A intensidade do processo de contaminação depende das quantidades de nitrato presentes, dado que o excesso das águas com nitrato leva à eutrofização, o que favorece a proliferação exagerada de algas e plantas aquáticas.
A presença desses contaminantes nos ecossistemas aquáticos pode provocar alterações significativas na dinâmica ecológica e na sobrevivência das espécies. Os metais pesados tendem a se acumular nos tecidos dos organismos por meio do processo de bioacumulação, podendo atingir concentrações cada vez maiores ao longo da cadeia alimentar, fenômeno conhecido como biomagnificação. Como consequência, espécies de níveis tróficos superiores, como grandes peixes, aves marinhas e mamíferos aquáticos, tornam-se mais suscetíveis aos efeitos tóxicos dessas substâncias.
Da mesma forma, o excesso de nitratos compromete o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos ao favorecer a eutrofização. A proliferação excessiva de algas reduz a penetração da luz e, durante sua decomposição, ocorre um intenso consumo de oxigênio dissolvido na água. Esse processo pode resultar na morte de organismos aquáticos, na redução da biodiversidade e em alterações na estrutura das comunidades marinhas.
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Impactos dos metais e nitratos na biodiversidade marinha
Os ecossistemas marinhos são extremamente complexos, dinâmicos e propensos a muitos relacionamentos internos e externos que estão em andamento possíveis de serem alterados ao longo do tempo. As substâncias contaminantes que adentram as águas costeiras e estuários geram questões sérias que causam danos significativos à vida e as ações marinhas (Ferreira et al.)
A exposição contínua a substâncias tóxicas pode comprometer processos biológicos essenciais, como crescimento, reprodução e desenvolvimento de diversas espécies aquáticas, resultando na redução da diversidade biológica e no desequilíbrio das comunidades marinhas. No caso dos metais pesados, destaca-se sua capacidade de persistência no ambiente e de acumulação nos tecidos dos organismos ao longo do tempo. Esse processo, conhecido como bioacumulação, pode levar ao aumento progressivo da concentração dessas substâncias nos níveis tróficos superiores, por meio da biomagnificação. Como consequência, predadores de topo da cadeia alimentar tornam-se mais vulneráveis aos efeitos tóxicos, podendo apresentar alterações fisiológicas, neurológicas e reprodutivas.
Já os compostos nitrogenados em excesso afetam o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos ao favorecerem a eutrofização, processo caracterizado pela proliferação excessiva de organismos fotossintetizantes. Esse fenômeno reduz a penetração de luz na coluna d’água e diminui os níveis de oxigênio dissolvido, especialmente durante a decomposição da biomassa algal, o que pode resultar em mortandade de espécies e formação de zonas hipóxicas. Dessa forma, ambos os contaminantes contribuem significativamente para a degradação da biodiversidade marinha e para a instabilidade ecológica dos ambientes aquáticos.
Conclusão
Desse modo, a presença de metais e nitratos nos ambientes aquáticos constitui uma ameaça considerável à biodiversidade marinha. Esses contaminantes, frequentemente provenientes de atividades humanas, como indústria, agricultura e descarte inadequado de efluentes, podem causar processos de degradação ambiental, afetando diretamente os organismos e o equilíbrio dos ecossistemas. Os metais pesados, por sua habilidade de persistir e bioacumular, impactam diversos níveis da cadeia alimentar. Por outro lado, o excesso de nitratos favorece processos como a eutrofização, o que prejudica a qualidade da água e a sobrevivência das espécies aquáticas. Assim, ambos os poluentes contribuem significativamente para a diminuição da biodiversidade marinha. Assim, torna-se essencial a adoção de medidas de monitoramento e controle da qualidade da água, bem como o fortalecimento de políticas ambientais e práticas sustentáveis, visando à preservação dos ecossistemas marinhos e à manutenção dos serviços ecossistêmicos fundamentais à vida. Sua empresa precisa de suporte na gestão e análise de água e efluentes? A Prisma, Empresa Júnior de Engenharia Química da UFBA, conta com uma equipe qualificada para auxiliar no monitoramento da qualidade da água, identificação de contaminantes e controle de qualidade dos seus processos. Entre em contato conosco e agende uma consultoria para garantir a conformidade ambiental e a sustentabilidade das suas operações.
Referências
https://www.wwf.org.br/nossosconteudos/biomas/oceano/
https://lamarh.icb.ufg.br/n/26522-a-importancia-da-agua
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/mudanca-do-clima/oceano-e-clima
https://www.redalyc.org/pdf/928/92815026018.pdf
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/546464/1/doc57.pdf
https://crmvsp.gov.br/poluicao-das-aguas-causam-alteracoes-na-vida-marinha/
https://www.redalyc.org/pdf/3883/388340129005.pdf
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/546464/1/doc57.pdf
